A débil Analysis by Cesário Verde: 2022

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Last updated on September 9th, 2022 at 04:15 pm

O poeta

José Joaquim Cesário Verde (Lisboa, 25 de Fevereiro de 1855 Lumiar, 19 de Julho de 1886) foi um poeta português, sendo considerado um dos precursores da poesia que seria feita em Portugal no século XX.
Filho do lavrador e comerciante José Anastácio Verde e de Maria da Piedade dos Santos Verde, Cesário matriculou-se no Curso Superior de Letras em 1873, mas apenas o frequentou por alguns meses. Ali conheceu Silva Pinto, que ficou seu amigo para o resto da vida. Dividia-se entre a produção de poesias (publicadas em jornais) e as atividades de comerciante herdadas do pai.
Em 1877 começou a ter sintomas de tuberculose, doença que já lhe havia tirado o irmão e a irmã. Estas mortes inspiraram contudo um de seus principais poemas, Nós (1884). Tenta curar-se da tuberculose, mas sem sucesso, e vem a falecer no dia 19 de Julho de 1886. No ano seguinte Silva Pinto organiza O Livro de Cesário Verde, compilação da suas poesias e publicada em 1901.

O poema

No seu estilo delicado, Cesário empregou técnicas impressionistas, com extrema sensibilidade ao retratar a Cidade e o Campo, que são os seus cenários prediletos. Evitou o lirismo tradicional, expressando-se de uma forma mais natural. Deambulando pelos dois espaços, depara-se com dois tipos de mulher, que estão articulados com os locais.
Este poema, redigido em 1875, aborda um dos elementos mais comuns nas obras de Cesário Verde, a figura feminina. Porém, neste poema em particular, a figura feminina retratada contrasta com a típica mulher provocante e deslumbrante. Assim, o poema “A Débil” representa uma mulher que sobressai no meio citadino, não pela sua excentricidade, mas pela sua pureza e simplicidade.
O sujeito lírico serve-se de um conjunto de termos para caracterizar esta típica mulher: “frágil, assustada, recatada, honesta, fraca, natural, dócil, recolhida”, remetendo para a sua caracterização psicológica. Já os vocábulos “loura, de corpo alegre e brando, cintura estreita, adorável, com elegância e sem ostentação, esbelta e fina, ténue” remetem para o seu aspeto físico.
Este poema põe em relevo uma figura feminina que escapa à típica mulher citadina, a mulher que surge no espaço rural. O retrato da figura feminina está associado à mulher do campo que se movimenta num espaço que lhe é estranho. Assim, esta sente-se perdida, necessitando de proteção masculina pois sente-se desnorteada num espaço que não está adequado à sua fragilidade.
O sujeito poético caracteriza os espaços citadinos de forma negativa. Nestes espaços movimentam-se figuras sórdidas, que ele caracteriza por “turba ruidosa, negra” e por ” uma chusma de padres de batina”. Tal permite destacar a fragilidade da jovem, que torna estes locais mais brilhantes e atrativos. Com o intuito de evidenciar o contraste entre o espaço e a jovem senhora, o sujeito poético faz referência à agitação e à confusão que predominam na cidade, onde sobressaem as diferentes classes sociais.
Cesário Verde utiliza um vocabulário preciso e exato, e as suas descrições dão-nos uma visão perfeita da realidade. Além disso, imprime objetividade ao conteúdo, afastando-se do lirismo romântico. O poema está cheio de referências à realidade social, onde se perceciona a crítica e a ironia de que Cesário Verde se serve e que refletem o seu caráter subjetivo.
Numa outra perspetiva, o poeta julga-se feio, perante a beleza desta mulher mas ao mesmo tempo sólido, e leal. Atento à sua passagem, observando-a dado o interesse que ela lhe provocou, nota-se uma certa preocupação e vontade de a proteger da cidade corruptora. Decide dedicar-lhe a sua vida, visto que se considera um homem varonil, hábil prático e viril, prestante, bom e saudável. Na última estrofe o poeta faz a comparação entre a mulher fraca, dócil e recolhida e ele próprio homem varonil, hábil prático e viril, o que evidencia o desejo de proteção- acha que ela e ele se complementam, dedicando-se um ao outro.

Análise estrutural

Cesário Verde utiliza quadras e versos decassilábicos que permitem uma maior aproximação à prosa.
As sonoridades mais utilizadas no poema são as aliterações e o tipo de frase predominante é o tipo declarativo.
Ao longo de todo o poema são visíveis vários exemplos de adjetivação expressiva, o que reforça a forma como o sujeito poético caracteriza as duas realidades presentes – o campo e a cidade.
O sujeito lírico dá bastante importância ao imperfeito do indicativo neste poema para indicar que o fascínio que a “Débil” exerceu sobre ele é durável e que perdura.
Este poema é composto por 13 quadras. A sua métrica contém versos decassilábicos (Ex: “Eu, que sou feio, sólido, leal ”). A rima é interpolada e emparelhada- ABBA- “Eu, que sou feio, sólido, leal, A ti, que és bela, frágil, assustada, Quero estimar-te, sempre, recatada Numa existência honesta, de cristal.”
Podemos encontrar várias figuras de estilo neste poema, tais como: metáforas (“Nesta Babel tão velha e corruptora”), adjetivações (“A ti, que és bela, frágil, assustada”), antíteses (“Uma pombinha tímida e quieta /Num bando ameaçador de corvos pretos. “).

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